sexta-feira, 19 de junho de 2015

Curso de Hortas Agroflorestais - Simbiose Agroflorestal

                                         

            “Em primeiro lugar a união!” (Seu Pedro Malaquias)




No fim de semana dos dias 14 -15 de junho rolou o curso de Hortas Agroflorestais promovido pela Simbiose Agroflorestal e ministrado pelos professores Namastê e Jéssica. O curso foi realizado no Sítio Pinheiro, espaço que integra produção agropecuária e turismo pedagógico voltado para a educação e conscientização ambiental, localizado em Brázlândia - DF. Fomos para o curso em um grupo de hortelões de Brasília, apoiados pelo GT de Agricultura Urbana do Movimento Nossa Brasília. As vagas do curso se esgotaram rapidamente, o que mostrou o interesse crescente que esse conjunto de conhecimentos vem gerando na região.



O conteúdo do curso foi baseado nos conhecimentos em torno dos Sistemas Agroflorestais Sucessionais, desenvolvidos por Ernst Gotsch e aperfeiçoados em diversas experiências produtivas que vem sendo realizadas nos últimos anos, como a do Cooperafloresta, da Fazenda Toca e de ações entre os índigenas no Xingú. Aulas teóricas e práticas tiveram por objetivo capacitar os aprendizes para a produção de hortaliças em Sistemas Agroflorestais.
Estavam presentes pessoas de diferentes origens, como produtores rurais assentados e cooperativistas, indígenas, pesquisadores, agrônomos, hortelões urbanos e entusiastas em geral, somando cerca de 35 aprendizes.


            Observar e aprender com a natureza, percebendo a forma como os ecossistemas se desenvolvem de forma integrada e replicar os princípios aprendidos de modo a obter plantas fortes e saudáveis, produzindo solos férteis e água ao longo do processo, e sem a utilização de insumos químicos ou pesticidas – esses são alguns dos fundamentos da tecnologia dos Sistemas Agroflorestais Sucessionais.
            As aulas teóricas foram ricas e detalhadas, nelas aprendemos sobre a importância da cobertura do solo, a formação dos estratos florestais e a sucessão no crescimento dos sistemas. Aqui, ao contrário da monocultura, plantam-se diversas plantas em consórcio, trabalhando com a sua interação para fazer a horta crescer como uma floresta que se recupera em uma clareira desmatada. Cada canteiro é um organismo vivo, um “organismo canteiro” composto de 4, 5 espécies diferentes. Entre os canteiros de hortaliças crescem árvores e bananeiras, puxando o crescimento de todo o sistema e produzindo matéria orgânica.

            Desse ponto de vista, as doenças que assolam as plantações da agricultura convencional, sendo chamadas de pragas e combatidas com o uso de agrotóxicos, nada mais são do que indicadores da fraqueza e estresse pelos quais passam as plantas que ali estão. Uma planta que sobrevive à base de fertilizantes químicos e pesticidas é comparada a uma pessoa na U.T.I., tão fraca que necessita do uso constante de  aparelhos e remédios. Na natureza, as plantas coexistem em sistemas complexos que dificilmente são assolados por uma superpopulação de insetos herbívoros ou fungos. A diversidade constrói resiliência, e ecossistemas fortes tendem ao equilíbrio.
            Os sistemas agroflorestais reduzem a demanda por água e insumos externos. Um sistema bem manejado produz solo, garantido fertilidade cíclica e reduzindo a dependência econômica do produtor agrícola. Os alimentos produzidos são orgânicos, sem os riscos à saúde e de contaminação ambiental presentes na agricultura convencional que utiliza agrotóxicos. Além disso, produzindo alimentos diversos, reduz-se o risco de quebra por flutuações nos preços de mercado, e amplia-se a margem de experimentação que faz com que a agroflorestal tenha a cara do dono. É inegavelmente uma arte.

            Depois de muito aprender sobre os princípios e o funcionamento dos sistemas, partimos para as aulas práticas, não sem antes planejar detalhadamente o desenho de cada canteiro. Manejamos bananeiras e eucaliptos, cobrimos os canteiros e plantamos uma porção de coisas: Mandioca, Milho, Cebola, Rabanete, Cenoura, Couve, Brócolis, Rúcula, Alface, Repolho e Beterraba.




           Entre as aulas, deliciosas refeições, muitos cafezinhos e boas conversas. O Sítio ofereceu um ambiente acolhedor e agradável, onde pudemos trocar idéias, experiências e até sementes, na feirinha de troca que fizemos no fim do evento. Também conversamos com os professores sobre ideias para a agrofloresta em ambientes urbanos, frente aos desafios que aqui enfrentamos. Voltamos felizes, cansados, e cheios de vontade de plantar, plantar e plantar!

Por: Marcio C. B. de Oliveira

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